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"Vale a pena analisar estes bairros em termos de mobilidade": Salatinas abre debate sobre urbanismo e acessibilidade em Coimbra

há 10 minutos
2 min de leitura

No dia 7 de outubro, o DOC.Coimbra levou ao Auditório do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) o documentário Salatinas – Histórias da Velha Alta de Coimbra, de Filipa Queiroz, Rafael Vieira e Tiago Cerveira. A sessão, integrada no projeto INATEL Longevidade+, propôs uma reflexão sobre memória coletiva, acessibilidade e bem-estar da população sénior.


O filme aborda uma das maiores transformações urbanísticas em Portugal: a expulsão e expropriação dos moradores da Alta de Coimbra, nas décadas de 1940, 50 e 60, para dar lugar à Universidade. As consequências sociais desse processo continuam presentes no desenho da cidade.


Exibição de Salatinas no Auditório do IPDJ, em Coimbra

Uma sessão participativa


A partir do filme, Anabela Salgueiro Narciso Ribeiro conduziu uma sessão participativa sobre urbanismo e acessibilidade. Professora do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra, é coordenadora e investigadora principal do projeto MOBI-AGE, dedicado à mobilidade e acessibilidade para idosos.


A investigadora lembrou que os bairros para onde foram realojados os antigos moradores da Alta "já têm alguma história também", e disse ter ficado com "muito interesse e vontade de, em termos de urbanismo e de projeto urbano, estudar individualmente cada um desses bairros".


"Se não ouvirmos esta população, que tem crescido tanto, estamos a fazer alguma coisa errada", alertou. Sobre Coimbra, observou que o problema da mobilidade "é um problema de gestão de velocidade e de educação e cultura". E deixou uma pergunta: "Se as pessoas não se puderem movimentar à vontade e em segurança na cidade, para que serve a cidade?"


Público na sessão sobre urbanismo e acessibilidade

Um filme com impacto na comunidade


A realizadora Filipa Queiroz juntou-se ao debate e destacou o percurso do documentário. Estreado em 2025, Salatinas continua a circular em sala, com as próximas exibições marcadas para o Porto, a 22 de outubro, e para a Lousã, a 20 de novembro. O filme tem tido um impacto concreto na comunidade, que já se traduz em ideias para novos projetos.


"Quando esta memória é dignificada há aqui uma lição a aprender e levar para o futuro", concluiu Anabela Ribeiro.


Um lembrete para realizadores, as inscrições de filmes para a 4.ª edição do festival, de 16 a 21 de março de 2027, estão abertas até 30 de outubro de 2026.


Fotos: Edgar Copque

 
 
 

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